A pluralidade de religiões na capital mais católica do Brasil
- prifernands06
- 5 de ago. de 2019
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De acordo com o censo demográfico realizado pelo IBGE em 2010, Teresina é a capital mais católica do Brasil. No entanto, ao longo dos anos, observa-se que a cidade está passando por uma transição religiosa, com declínio das filiações católicas e aumento das filiações evangélicas, paralelamente ao aumento do percentual de outras religiões e do percentual de pessoas que se declaram sem religião (incluindo ateus e agnósticos).
Observou-se que Teresina, uma cidade religiosamente diversa, conta com a ascensão de determinados grupos religiosos ainda não tão populares, em termos de números de seguidores ou de conhecimento. Em uma capital onde o Catolicismo predomina, há grupos que lutam por seu espaço e combatem a intolerância religiosa. A partir disso, o SuaHistória trouxe personagens e visões dessas religiões que estão em minoria e esclarecem sobre tabus e preconceitos criados socialmente. As religiões abordadas serão: Candomblé, Umbanda, Islã, Espiritismo, Santo Daime e Budismo.

Em enquetes realizadas através do Instagram, o SuaHistória teve como objetivo analisar o conhecimento por parte do público da atuação destas religiões em Teresina, sendo percebida a popularidade do Espiritismo (90,8%), da Umbanda (90,3%) e do Candomblé (88,6%). Por outro lado, é perceptível o desconhecimento dos teresinenses em relação ao Islã, onde 77,4% do público desconhece a atuação da religião na capital, seguido do Santo Daime, com 76,6% votos para o seu desconhecimento.
Candomblé
O Candomblé é uma religião de matriz africana vinda para o Brasil com a diáspora forçada decorrente do período escravagista brasileiro, tendo como base o culto a energia vital da natureza materializada nos Orixás. O culto no Brasil caminha lado a lado com a ressignificação da dor em luta, tendo as casas de axé a missão de guardar o sagrado e manter viva a ancestralidade. Em Teresina a religião vem crescendo, de acordo com um levantamento realizado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) , são cerca de 480 terreiros de candomblé e umbanda na capital.
O Terreiro do Cajado de Prata, localizado na zona norte de Teresina, é a primeira casa de candomblé da cidade. Edarlane de Ayrá, de 27 anos, a mais jovem iyalorixá (mãe de santo) do Piauí e a responsável pelo terreiro fala sobre a importância do Candomblé em sua vida.” Não vivo sem minha religião! É meu sustentáculo, é a base para tudo na minha vida, independente da minha vida profissional, entre outros, eu sempre tratei com muito fervor”, afirma.

Sobrinha e sucessora de Oscar de Oxalá, assassinado em 2014, Edarlane desde cedo soube que o Candomblé era que lhe fazia bem . “Meu pai e minha avó eram muito católicos e eu ‘era’ também, mas nunca fui de frequentar muito, gostava mesmo era de ir no terreiro. Assumir o cargo de mãe de santo após o falecimento do meu tio (Oscar De Oxalá) foi a certeza de que estava no lugar certo. A base do candomblé é a hierarquia e o respeito, é muita responsabilidade, lido com pessoas e direcionamentos e apesar de não ser uma missão fácil, sou feliz”, conta.
Questionada acerca da intolerância religiosa a jovem relata episódios em que sofreu preconceito em decorrência da sua religião. “O meu tio sempre apareceu muito na mídia e um dia ele me levou a uma entrevista, eu tinha nove anos, estava vestida de baiana e aparecemos em rede nacional, daí no outro dia na escola alguns colegas ficaram tirando brincadeiras. Também já houveram pessoas que afirmavam ter ‘medo’ de mim por associar o candomblé a coisas ruins, as pessoas inventam sem nem mesmo conhecer. Mesmo assim nunca tive vergonha as vezes um receio pelo preconceito das pessoas, mas vergonha nunca”, pontua.
A Mãe de Santo finaliza destacando que o Candomblé é uma religião de resgate, acolhimento e família. “Vi a evolução espiritual de pessoas que chegaram aqui com algum problema e foram resgatadas, meu tio, por exemplo, resgatou muitas pessoas do mundo das drogas. A nossa religião é muito isso de família, acolhimento, então querendo ou não acabamos nos aproximando muito de pessoas e dando a assistência que muitas vezes elas não tiveram fora daqui, claro que outras religiões também têm isso, mas eu vejo isso aqui! Esse foi o legado deixado pelo meu tio e é isso que sempre me motiva a continuar”, conclui a iyalorixá emocionada.
Umbanda
Fundada pelo médium Zélio Fernandino de Morais em 15 de novembro de 1908, a umbanda é uma religião brasileira nascida nos subúrbios do Rio de Janeiro que rapidamente se espalhou por todo o Brasil e outros países da América Latina. Suas crenças misturam elementos de religiões africanas como o candomblé e de religiões cristãs como o espiritismo e o catolicismo.
A umbanda teria surgido após um espírito chamado "caboclo das sete encruzilhadas" ter incorporado (forma de mediunidade onde um espírito de outro "plano" se conecta mentalmente com um ser humano) em Zélio Fernandino, e assim teria ajudado o médium a criar a religião e o primeiro terreiro, local onde acontecem as reuniões, festas e rituais dos devotos.
Estácio Manoel, teresinense de 25 anos de idade, estudante do curso de química na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e umbandista há quatro anos, compartilhou seus encantos e desafios acerca da religião.

A princípio, conheceu a umbanda através de leituras e conteúdos virtuais. Segundo ele, a riqueza de conhecimentos, ensinamentos e mistérios que rodeiam a espiritualidade foram fatores que contribuíram para que ele se tornasse umbandista.

"Gosto do contato com os mentores. A possibilidade de conversar com seres muito mais evoluídos que nós foi o que me fez escolher a umbanda", pontuou ao se referir a conversas com pais de santo, também conhecidos como sacerdotes de religiões de matrizes africanas que lideram os terreiros e que proporcionam conselhos, orientações e direcionamentos sobre a religião e se necessário, sobre a vida pessoal dos umbandistas.
Estácio se descreve como um indivíduo esotérico. O fato de sempre ter possuído afinidade com temas ligados às energias da natureza e elementos místicos, fizeram com que ele se reconhecesse e se identificasse espiritualmente e ideologicamente dentro da umbanda. Seu primeiro contato com a religião foi através de uma consulta com o mentor do terreiro para conversar sobre sua vida, mediunidade e a possibilidade de entrar na umbanda. Meses depois, ele já fazia parte da casa.

Apesar das alegrias e engrandecimentos espirituais de Estácio proporcionados pela religião, ele também pontua sobre os desafios de ser um filho de santo e aborda a questão da intolerância religiosa:
"As pessoas ainda tem muito preconceito com a umbanda e eu atribuo isso a ignorância. Diferente do que pensam, nossa religião não faz o mal. A umbanda é fundamentada na caridade, no amor, no respeito, no culto aos nossos ancestrais nativos como os índios, os boiadeiros e o povo negro que foi escravizado".

Subiu para 47% o número de denúncias sobre ataques contra religiões de matrizes africanas, segundo relatório do Ministério da mulher, da família, e dos direitos humanos (MDH). O Brasil coleciona episódios de intolerância religiosa, que geralmente envolvem violência verbal, física e até homicídios.
"Já vivi situações de intolerância. Algumas pessoas mostram incredulidade ao saber que sou umbandista. Outras tentam me ridicularizar, já fizeram até um sinal da cruz perto de mim como que para se proteger", desabafou Estácio.
"As pessoas deveriam se permitir conhecer a religião para desmistificar certos preconceitos, para parar de marginalizar tudo que vem da cultura negra", pontuou.
Mesmo diante da intolerância, a religião tem transformado sua vida positivamente. Para Estácio, desenvolver sua espiritualidade tem trazido conhecimento e autoconfiança.
"Os fundamentos da umbanda me fazem ter certeza que este é o meu caminho. O caminho da fé, da caridade, da busca pela reforma íntima. Poder ajudar os outros e com isso ajudar a mim mesmo e crescer como espírito", concluiu.
Em 8 de novembro de 2016, após estudos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade(IRPH), a Umbanda foi incluída na lista de patrimônios imateriais do Rio de Janeiro.
Islã
Segunda maior religião do mundo e a que mais se expande, de acordo com projeções do The Research Center, o Islã tende a superar as religiões cristãs em números de fiéis em 2035. Segundo os dados obtidos pelo centro de pesquisas estadunidense, enquanto a população mundial está projetada para crescer 32% nas próximas décadas, o número de muçulmanos deverá aumentar em 70%.

De caráter monoteísta e tendo o Alcorão como fonte única e sagrada de ensinamentos religiosos, a religião é fundamentada nos ensinamentos de Mohammed e submete-se à vontade de Allah. O Islã conta com cinco pilares, onde os muçulmanos (designação dada aos fiéis) devem segui-los impreterivelmente, sendo eles:
1: Crer em Allah, o único Deus, e em Mohammed, seu profeta;
2: Realizar cinco orações diárias comunitárias (sãlat);
3: Ser generoso para com os pobres e dar esmolas (azakat);
4: Obedecer ao jejum religioso durante o ramadã (mês anual de jejum);
5: Ir em peregrinação à Meca pelo menos uma vez durante a vida (hajj).

A expansão da religião pelo mundo é tão grande que chegou ao Piauí. Segundo o último censo divulgado pelo IBGE em 2010 sobre a diversidade religiosa existente no estado, o Islã contava com cerca de 80 fiéis na região, porém acredita-se que o número tenha crescido ao longo desses nove anos.
Um dos muçulmanos presentes em Teresina é Ramz Eddine Lachtar, de 37 anos. Ele conta que já sofrera insultos por conta de sua religião, fator que ele julga a mídia como uma das causadoras da intolerância religiosa contra os fiéis. “A mídia mostra apenas o que lhe convém. Ela omite fatos e liga nossa religião à violência, mas nunca mostra o outro lado da história, até mesmo quando se propõe a explicar trechos do livro sagrado (Alcorão), pois não faz a ligação entre todos os textos e interpreta de maneira errônea”, explica.

Ramz Lachtar é um dos componentes da primeira e única comunidade islâmica presente na capital, contando com pouco mais de 10 fiéis. “Os muçulmanos daqui começaram a procurar outros e fomos reunindo fiéis. Quando cheguei não conhecia ninguém, mas encontrei um, depois mais dois, até chegarmos ao número que temos hoje”. Segundo o muçulmano, a comunidade não é maior porque muitos fiéis se escondem por conta do preconceito. “Devido ao fato de a mídia sempre ligar o Islã à violência, ataques e ‘homens bombas’, muitos fiéis optam por não revelarem a sua religião, por medo de sofrerem agressões de pessoas que desconhecem os nossos princípios e apenas se baseiam pelo o que a mídia passa”, pontua.

Em relação à diversidade religiosa existente no Brasil, Ramz atenta para a necessidade de o país ser mais tolerante. "O respeito com a minha religião começa e termina quando começa a religião do outro. Por isso não tenho ódio ou preconceito quando alguém me fala que é cristão, umbandista ou segue qualquer outra religião. Mesmo que eu não concorde, eu devo respeitar. Exijo respeito também. É o respeito que promove uma maior diversidade e uma melhor convivência entre todos”, ressalta.
Questionado sobre as expectativas em relação à expansão da religião no Piauí e no Brasil como um todo, Ramz comenta que sonha com o fortalecimento da comunidade e com a criação de uma Mesquita no estado. Ele ressalta para o fato do Piauí ser um dos únicos estados do Nordeste sem ao menos uma Mesquita. "O crescimento do Islã no Brasil é notório. Em Recife temos duas Mesquitas. Em Fortaleza mais três. Aqui no Piauí não temos. Então, o Islã está se espalhando. As pessoas estão tentando preencher um vazio espiritual com o Islã, o que não conseguiram com outras”, finaliza.
Espiritismo
Segundo o último censo de pesquisa do IBGE, o Brasil concentra o maior número de espíritas do mundo, com cerca de 3,8 milhões de pessoas. No Piauí, a religião contém 9.840 adeptos, ficando apenas na 22° posição do ranking por estados do país.
O Espiritismo se popularizou ainda mais com o médium Chico Xavier, que psicografou mais de 400 livros. Baseado nos princípios de Deus e do francês Alan Kardec, as doutrinas espíritas são baseadas na evolução do espírito através da reencarnação, existência de vida em outros mundos e a habilidade que alguns fiéis têm de escrever, ouvir ou ver mensagens ditadas por espíritos como forma de comunicação entre vivos e mortos.

Em Teresina, no dia 27 de novembro de 1950, após uma palestra proferida por Leopoldo Machado, no Centro Espírita Piauense, foi criada a Federação Espírita Piauense - FEPI. Atualmente, o órgão conta com 64 centros espíritas e quatro entidades especializadas por todo o Estado.
Segundo a presidente da Federação Espirita do Piauí, Cristina Maria de Sousa, o Órgão presta apoio aos centros espíritas desde a regulamentação dos documentos até a capacitação de seus trabalhadores voluntários. O crescimento se dá a partir da necessidade de cada região.

Seu início no Espiritismo se deu a partir de leituras de alguns livros. "Recentemente passei por um processo de tratamento de câncer de mama, onde a fé em Deus e no amparo dos bons espíritos foram a minha fortaleza. Não vi no diagnóstico uma sentença de morte, mas uma oportunidade de ensinamento, pois aprendi a valorizar a vida, com amor a si próprio e resiliência passei pelo tratamento sem muitas dores. Hoje posso ajudar muitas outras mulheres que passaram por esse diagnóstico levando uma palavra amiga e um exemplo de vida", explica Cristina Maria de Sousa.
Jordel Brandão é um dos adeptos dessa religião. Sua história com o Espiritismo começou ainda na infância. Filho de pais espíritas, ele aprendeu desde cedo os princípios ensinados por Alan Kardec. "Conheci a doutrina espírita através da minha mãe, quando tinha uns três anos de idade. Ela começou no Espiritismo depois de uma forte depressão, em que ela graças a Deus conseguiu se recuperar. Meu pai já fez uma cirurgia espiritual na coluna, e foi nesse meio que cresci. Hoje tenho 28 anos, e durante todo esse tempo fui me apaixonando cada vez mais pela doutrina espírita, principalmente porque ela trabalha com a filosofia, ciência e religião", destaca.
O Espiritismo ensinou o jovem a enxergar pelos olhos da fé, principalmente após descobrir que ainda na adolescência estava com um tumor benigno na cabeça. "Depois desse acontecimento, passei a ver a vida com outros olhos. Aprendi a ser mais solidário com o próximo e enxergar quantas pessoas podemos ajudar. Com essa reflexão, consegui vivenciar o verdadeiro valor da vida. A partir disso, meu problema de saúde passou a ser secundário. Nesse meio tempo fiz acompanhamentos com os médicos espirituais através de médiuns e outros profissionais que trabalham juntos à doutrina. Graças a Deus, desde os 14 anos de idade nunca senti mais nada", acrescenta.
Como uma forma de agradecimento por tudo que foi vivenciado, Jordel realiza juntamente com outros fiéis um trabalho voluntário na Fraternidade Espírita André Luiz, localizada no bairro Dirceu Arcoverde. Duas vezes por mês o Centro Espírita realiza atendimentos espirituais e médicos, além de promover trabalhos de evangelização em todas as idades, através de palestras. Além disso, os fiéis organizam entregas de sopas, roupas e matérias de higiene pessoal aos finais de semana para moradores de rua. Também é feito visitas à hospitais, abrigos e famílias carentes com entrega de cestas básicas.

A doutrina espírita não promete cura. Os adeptos da religião também não a definem como a certa. Pois, para eles, o importante é a prática do bem e a crença em Deus, independente da religião. Porém, os fiéis ainda enfrentam corriqueiramente situações constrangedoras de intolerância religiosa. O preconceito, a opressão, a injúria e a falta de respeito por parte da sociedade são um dos grandes obstáculos vivenciados no dia a dia dos espíritas.
"O preconceito existe! Nós acabamos ouvindo alguns comentários depreciativos, mas aos poucos isso está sendo quebrado. Acredito que um grande passo para a diminuição da intolerância religiosa no Brasil seja a partir da união entre as próprias religiões, pois todas têm o propósito de levar seus adeptos ao caminho do bem estar", destaca Joana Aires, uma das representantes da Fraternidade Espírita André Luiz.
Santo Daime
De acordo com site da comunidade, o movimento religioso do Santo Daime começou no interior da Floresta Amazônica, ainda nas primeiras décadas do século XX, com Raimundo Irineu Serra, que era neto de escravos, natural do Maranhão. A doutrina reúne diversas tradições como as católicas, espíritas, esotéricas, caboclas e indígenas em torno do uso ritual do chá conhecido como ayahuasca (vinho das almas) e denominado pelo Mestre Irineu de Santo Daime.

O Mestre dizia ter recebido os seus ensinos diretamente de Nossa Senhora Da Conceição, que lhe apareceu numa das primeiras vezes que tomou a bebida na região de Brasiléia, no Acre. “A religião é uma prática religiosa cristã, ecumênica, que repudia toda forma de fanatismo, sectarismo, racismo e intolerância religiosa. Ela traz uma nova ênfase nos ensinos cristãos e uma nova leitura dos Evangelhos à luz do sacramento enteogênico”. Após a morte do Mestre Irineu, o Padrinho Sebastião foi o responsável pela expansão da religião.
Segundo Adriana Veras, membro da religião, a doutrina chegou em 2002, quando o artista plástico, mestre na arte com buriti, Abraão Cavalcante. O artista foi convidado pelo SEBRAE para ministrar um curso e ensinar sua técnica na cidade de Rio Branco no Acre e lá teve contato com a bebida. Na sua volta, trouxe os primeiros litros da bebida à Teresina. “Nós tínhamos amigos em comum e começou a se espalhar essa história da bebida que era proveniente dos indígenas, a doutrina do Santo Daime, que curava muita gente, de todos os males”.

Em 2005 é realizada a fundação do Centro Livre de Força Amor e Luz Rainha da Floresta – Céu de Todos os Santos. Depois disso, em 2006 uma amiga convidou Adriana para conhecer essa bebida que seria capaz de livrar de todo o mal e curar. Foi quando a fiel tomou o Santo Daime pela primeira vez. Ela conta que sentiu algo muito forte, uma limpeza espiritual, ficou deitada meditando e não conseguia fazer outra coisa. Naquele momento começou a conhecer a si mesma, a detectar as fraquezas tanto materiais como espirituais.
Foi a partir daquele primeiro encontro com o Santo Daime que Adriana começou a frequentar a religião e como não tinha tempo ainda, faziam reunião ao redor da fogueira com um grupo de pessoas Teresina. Conseguiram um tempo depois que alguém viesse de Rio Branco para ensinar os hinos da doutrina e como bailar.

Com o tempo, a fiel relata que foi se envolvendo completamente. Foi uma das primeiras fardadas da igreja em Teresina. Ficou frequentando a igreja, mudou meu estilo de vida, se afastou de todas as coisas que não a faziam bem. “Fui me livrando desse mundo de ilusão, do álcool, das drogas químicas, que me tiraram do meu eu, do meu propósito de vida. Eu não conseguia progredir, ficava sempre no mesmo lugar, e quando conheci o Santo Daime me libertei”, conta.

O Santo Daime para seus fiéis é uma bebida sagrada, que cura as dores da alma, da matéria, cura traumas, que vai profundo nos sentimentos das pessoas. “É uma religião que quer ver a pessoa cada vez melhor, tanto espiritualmente como materialmente, livrando de todas as mentiras da vida, de todas as ilusões. É muito forte, vale a pena. Hoje em dia eu vivo a doutrina do Santo Daime com todas as minhas forças, com todo o meu vigor”, diz Adriana.
Ela conta também que teve um período que passou dois anos afastada da religião. Adriana afirma ter recebido um chamado espiritual para procurar novamente a casa que a tinha curado, que seria recebida. Resolveu então ligar para Bruno, presidente da igreja e para a Jaína, uma amiga da igreja, e eles foram com ela à comunidade Rainha da Floresta e de lá ela não quis mais sair, já fazem 9 anos que construiu sua casa lá.
Trabalho bailado de Farda Branca | Vídeo: arquivo pessoal de Adriana Veras
Para Adriana Veras, o Santo Daime mais que uma religião, é sua religação com Deus, com a divindade, é respeito, amor, verdade, é a doutrina brasileira que vem da floresta amazônica, recebida pelo Mestre Irineu e expandida pelo padrinho Sebastião Melo. A religião tornou conectada com Deus, e ela busca sempre ajudar outras pessoas que estão na mesma situação que um dia ela esteve. “Quero sempre permanecer nesta religião”, finaliza.
Budismo
O Budismo é uma religião baseada nos conceitos e ensinamentos deixados por Buda Sakyamuni, ou Siddhartha Gautama, que viveu na Índia aproximadamente entre 563 e 483 a.C, na região que hoje pertence ao Nepal. De acordo com o Censo Demográfico 2010 do IBGE, o Budismo tem um número de 243.966 adeptos no Brasil. Em Teresina, há um Centro Budista, de linha tibetana, o Shenphen Choling.

De divisão complexa por tratar-se de um idioma diferente do nosso, os conceitos e práticas difundidas pelo Budismo caracterizam-se nas denominadas Três Joias, a saber: o Buda como guia; o Dharma (caminho/ensinamentos) como lei fundamental do universo; e o Sangha como a comunidade budista.
Conhecer adeptos da prática budista no Piauí não é uma tarefa das mais fáceis. Apesar de uma página movimentada na rede social Instagram, o Centro prefere não fazer convites explícitos. Há, preferencialmente, que a pessoa em questão “sinta o chamado”.

Praticante da doutrina, Kary Coimbra aborda sobre sua aproximação com os ensinamentos do Dharma, que acontece há um ano. De olhar firme atrás dos óculos, a mulher falou sobre o que é e como se organiza essa forma de conexão consigo, chamada Budismo. “Foi mais ou menos no meio de junho do ano passado (2018), mas eu já queria frequentar há bastante tempo. É que às vezes a gente espera chegar um momento mais crítico para poder dizer assim: 'agora não tem jeito'. Mas eu já tinha sentido o chamado”, inicia Kary.

De fala firme, a mulher que buscou o Budismo à procura de reencontrar-se, e religar-se com sua própria mente envolta em diversas turbulências, prefere não se caracterizar ainda como budista. “Eu sou mais uma praticante. Quando eu vejo as pessoas falando que são budistas dá uma certa propriedade, de que você já tem um certo conhecimento sobre aquilo, pois mesmo quando você sabe sobre determinadas aspectos na teoria, acaba repetindo comportamentos inadequados na prática”, relata.
Questionada sobre à prática do Dharma, é enfática em sua caracterização. “Eu era uma pessoa acelerada, que sempre tive ansiedade. Na verdade, eu cheguei lá justamente por conta dessas questões”, afirma. Sobre sua chegada ao Shenphen Choling, Coimbra relata que na época específica em que foi ao Centro Budista estava em uma crise depressiva, então foi até ele como uma forma de buscar auxílio.

"O Budismo busca tratar justamente sobre aspectos relativos à dor e ao sofrimento, como esses sentimentos afloram na consciência humana e como ligar com eles. Hoje eu consigo entender quando eu passo por momentos de tristeza, frustração e até mesmo por momentos de raiva. Eu tento não agir sob influência desses sentimentos. Na verdade, o que eu procuro hoje é fazer essa identificação (dos sentimentos). Já considero um grande passo. Então, procuro afastar-me daquilo que está provocando essas sensações”, finaliza.
Monja Coen, expoente do Budismo brasileiro | Vídeo: Youtube



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