Paratleta vence a depressão e transforma sua vida com auxílio do esporte
- Arnaldo Alves

- 5 de ago. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de ago. de 2019
Por Arnaldo Alves
“Hoje posso falar que em cima de uma cadeira de rodas eu encontrei minha felicidade, pois aprendi a me amar como sou, graças a minha família e ao esporte". Essas são palavras de Auricelia Nunes, de 41 anos, que superou a depressão e hoje é a 1° colocada no ranking nacional de Parabadminton em duplas femininas da Confederação Brasileira de Badminton, além de estar na 2° posição do ranking individual.
Entre os dias 24 e 27 de julho, Auricelia participou dos jogos Paralímpicos Universitários sendo premiada com duas medalhas |vídeo: arquivo pessoal de Auricelia Nunes
Quando tinha um ano e seis meses, Auricelia foi diagnosticada com poliomielite. No entanto, essa doença não a impediu de seguir sua vida normalmente. Casou-se e teve duas filhas: Ana Mikaelly Evangelista e Anielly Myllena Evangelista. Porém, em 2013, Auricelia foi vítima de um erro médico durante uma cirurgia em um hospital de Teresina, o que ocasionou a perda total de movimentos em suas pernas.
Desde então, Auricelia passou a conviver com a depressão e a necessidade de sustentar sua família sozinha, visto que ficou desempregada e divorciada. Até que, no transporte eficiente, conheceu a paratleta Laise Santos. “Convidei ela para conhecer o Parabadminton como uma forma de disseminar o esporte, pois o número de mulheres que o praticam ainda é baixo”, explica Laise.

A partir disso, Auricelia passou a enxergar o esporte como meio de inclusão social. A sensação pelo qual cada ponto era conquistado representava mais uma reviravolta na vida da paratleta. Seu primeiro técnico, Tamiak Alves, ensinou todos os passos do esporte em um projeto social chamado Badminton IFPI (Instituto Federal do Piauí), localizado no campus Teresina Central. Toda semana profissionais e amadores tinham a oportunidade de treinar no projeto. Atualmente, o professor está afastado das atividades por conta da finalização de sua pesquisa no mestrado envolvendo pessoas com lesões medulares.
Segundo o treinador, um dos principais princípios do esporte é utilizá-lo como meio de inserção social. "É uma realização pessoal e profissional saber que através do meu trabalho pessoas conseguem ter uma nova perspectiva de vida. Quando vejo casos como o da Auricelia, a sensação é a mesma de como se eu estivesse na quadra jogando. Dessa maneira, procuro passar alguns conhecimentos técnicos de uma forma mais humanizada", explica Tamiak.
“Sou muito grata aos meus amigos, técnicos e familiares, eles me ajudaram no momento mais difícil da minha vida. Hoje o esporte significa a oportunidade de realizar meus sonhos e viver com alegria. Tenho muito orgulho das minhas conquistas, pois obtive com minha simpatia, hombridade e muita fé em Deus", acrescenta a 2° colocada no ranking individual.

Entre uma medalha e outra, a piauiense vai deixando sua marca no cenário internacional do Parabadminton. Atualmente, são 81 medalhas em três anos de carreira profissional, incluindo campeonato Brasileiro, Pan-americano e Sul-americano. Coleção de troféus que podem aumentar neste mês. No dia 17 de agosto, a paratleta embarca rumo à Suíça para competir no campeonato mundial das categorias que participa.
Disputa pelo ouro em duplas da 2° etapa do campeonato brasileiro de Parabadminton |vídeo: arquivo pessoal de Maria Gilda
Amigas dentro e fora das quadras, Auricelia faz uma parceria de sucesso há cerca de dois anos com a sergipana Maria Gilda dos Santos (44). Neste momento, segundo a Federação Internacional de Badminton (BWF), a dupla está na 15° posição mundial. O objetivo é conseguir avançar no ranking e disputar as Paraolimpíadas no Japão.
"Acredito que uma das nossas maiores conquistas é termos um registro no qual diz que somos paratletas profissionais. No dia dia a Auricelia é uma amiga bem extrovertida e companheira. A parceria surgiu no momento ideal, pois ela é uma pessoa simples, do coração generoso e extremamente profissional", pontua.

Badminton e Parabadminton no Piauí
Celeiro de grandes craques do esporte nacional e internacional. O Piauí é destaque nas competições que participa. Ao todo, seis atletas do Estado integram a Seleção Brasileira de Badminton e Parabadminton.
Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Badminton, Francisco Carvalho, o Piauí se tornou referência pelo planejamento estratégico com foco na boa governança, bem como porque investiu na base e em técnicos. "Compromisso e competência, palavras que resumem a nossa dedicação ao esporte. Conseguimos abrir portas e garantir que o Badminton e Parabadminton tivessem mais visibilidade no Piauí, assim como em todo Brasil, através de eventos, cursos, melhoria nas condições dos centros de treinamentos, associações, além do apoio dos clubes já existentes", finaliza o presidente que também é piauiense.



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