Espaço Cultural São Francisco: o menor espaço cultural do mundo está no Mercado do Mafuá
- Sebastian Pinheiro
- 6 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Por Renato Rodrigues
Cícero Manoel, artista plástico, formado em Letras na UFPI, mantêm um espaço de cultura e preservação da memória na zona norte de Teresina.

Um sebo de livros, um antiquário, uma galeria de arte e um armarinho. Todos esses itens num só lugar. Com todos esses itens, logo imaginamos um grande espaço, com suas divisões explícitas. Engano seu. O Espaço Cultural São Francisco, localizado no tradicional Mercado do Mafuá tem apenas 3m².
Com a função de preservar a memória de Dona Zefa- sua mãe- e difundir cultura, o artista plástico Cícero Manoel preenche com cultura a mesma estrutura onde, desde 1972 funciona o espaço, que começou vendendo aviamentos para costura. “Eu fui praticamente o primeiro a trabalhar com arte aqui, até me chamaram de doido. Mas aí eu gostava, achei que fosse um diferencial do nosso espaço e comecei”, afirma Cícero entre a venda de pilhas alcalinas e de créditos para celular.

Autointitulado “O Menor Espaço Cultural do Mundo”, Cícero não acha a denominação desvantagem. Em verdade, garante que esse é o ponto forte do local. “Todo mundo sempre quer ser grande, estar no superlativo. Eu preferi ser pequeno”.
Com mais de cem exposições, entre coletivas e individuais, o Espaço Cultural São Francisco começou a tomar os rumos que o filho de dona Zefa pretendia.
Com livros aos montes, Cícero Manoel mantêm um sebo. “Nosso livro custa a partir de cinco reais, é um sebo popular, democrático, para que as pessoas tenham acesso à leitura”, aponta o artista. Há uma infinidade de gêneros, que vão desde à literatura brasileira e universal, livros-reportagem à poesia. “Eu percebi que tem demanda, as pessoas gostam de ler. O problema é que o livro é ainda um objeto muito caro”, explica.

Mesmo com esforços, o Nordeste continua com a menor taxa de livros lidos por ano. São 3,93, em média.
Máquinas fotográficas analógicas, ferro de passar à brasa, discos de vinil. Todos esses elementos compõem o espaço, que além de cultura, resgata memória. O local, alugado há 47 anos é um vai traçando seu caminho na busca da difusão da arte. As homenagens a mãe - figura marcante nos quatro cantos do armarinho - vão desde assinaturas em marcadores de página até carimbos em envelopes.
Ao longo de quatro décadas, o Espaço Cultural São Francisco é um ponto turístico de Teresina, recebendo visitas de estudantes da rede pública e particular, também de universitários. Músicos e artistas plásticos, professores e produtores culturais também frequentam o local. No bairro, o armarinho converte-se em ponto de referência.



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