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Em intercâmbio no Taiwan, piauiense dá aulas de inglês e cultura brasileira às crianças

  • Foto do escritor: Clayton Gomes
    Clayton Gomes
  • 13 de jul. de 2019
  • 6 min de leitura

"A melhor experiência da minha vida". É desta forma que Bianca Sales da Silva (22), designer de moda, resume os seus 45 dias de intercâmbio voluntário no Taiwan, um estado independente da China. No projeto, Bianca ensinava inglês às crianças da Tung Yuen Primary School, escola localizada na zona rural de Taichung, e apresentava o Brasil e o Piauí aos alunos.

Tung Yuen Primary School, escola que recebeu Bianca através da AIESEC | Foto: Bianca Sales

O interesse em fazer intercâmbio voluntário surgiu no período em que a jovem trabalhou na AIESEC, uma ONG (Organização Não Governamental) reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) que promove ações sociais através do intercâmbio e que busca promover o desenvolvimento pessoal e profissional dos viajantes. No período em que trabalhou na instituição, Bianca recebia os intercambistas e os encaminhava aos seus sonhos, os auxiliava, entre outras atividades. O interesse ganhou mais força quando surgiu a oportunidade de ir ao Taiwan. Ela não conhecia o país, mas sabia do quão importante para o seu crescimento seria viver essa experiência no outro lado do mundo.


O nome do projeto em que ela se candidatou era 'Dream Beyond Language", onde ela teria como objetivo ensinar inglês às crianças de Taichung e promover a internacionalização desta região. Antes de ser selecionada, ela passou por diversas etapas, sendo uma delas a entrevista com voluntários da AIESEC NCHU, de Taiwan. Dentre os vários questionamentos, os principais foram sua experiência com crianças, se já tinha dado aulas, suas metodologias, estilo de vida, entre outros. Quando foi selecionada, a emoção tomou de conta de Bianca, que logo contou aos familiares e amigos.


"Eu não tinha muito conhecimento sobre o Estado, pois aqui no Brasil não temos muitas notícias de lá. Quando surgiu a possibilidade de ir, pesquisei bastante sobre as pessoas, as culturas, a educação, as tecnologias. No último ponto, inclusive, Taiwan se destaca, visto que a região conta com uma indústria de tecnologia bastante avançada. Isso se deve aos grandes investimentos voltados à Educação, em especial pública, e voltada às áreas de Exatas".


A jovem conta que a primeira semana em Taiwan foi de adaptação, onde ela estranhava tudo, os costumes, culturas, comidas, entre outros aspectos. Porém, ela se adaptou ao passar dos dias e criou um laço enorme com o Estado e com as pessoas. Elas, por sinal, são a grande atração de Taiwan, de acordo com Bianca.


"Poucos taiwaneses falam em inglês. Então, o meu objetivo e da AIESEC era promover o interesse pelo idioma desde a base, com as crianças, com o intuito de internacionalizar a escola onde eu lecionava. Mas eu não só dava aulas de inglês, eu apresentava as culturas brasileiras e, claro, as piauienses".

Bianca dava aulas para turmas de diferentes estilos | Foto: Arquivo pessoal de Bianca Sales

Inicialmente receosa e com medo por estar chegando em um país novo e muito distante de casa, logo Bianca criou confiança, fator que ela julga a recepção calorosa e carinhosa dos taiwaneses como fundamental nesse processo. "Uma bandeira do Brasil ficou hasteada na escola por todos os dias em que lá estive. Outro ponto interessante é que professores e alunos não me tratavam como intercambista, e sim como uma professora. Há um respeito muito grande entre alunos e professores. Eu era jovem e via professores mais velhos e experientes que eu, mas eles me tratavam com igualdade e muito respeito", afirma Bianca.

Bandeira brasileira hasteada na escola simbolizava o carinho dos taiwaneses pela jovem | Foto: Arquivo pessoal de Bianca Sales

Bianca deu aulas para alunos do primeiro ao sexto ano juntamente com a professora fixa de Inglês da escola, com um objetivo muito claro: tirar a vergonha dos alunos em falar em inglês, pois os mesmos tinham medo de errar. Com esse intuito, Bianca contava com o auxílio da professora, que traduzia o que era perpassado por ela aos alunos em mandarim, idioma oficial da região.


"O objetivo era de uma forma descontraída ensinar o inglês, para isso dividi os assuntos por semana: apresentação, festas tradicionais brasileiras, fauna, flora, comidas, artes, cidades famosas e pontos turísticos. Eu ensinava inglês e apresentava o Brasil aos alunos, mostrando vídeos, fotos e curiosidades. Eles ficaram impressionados com a diversidade do país, com o seu tamanho, com a natureza, as danças, o colorido e principalmente com a nossa culinária. O tópico que eles mais gostaram, sem dúvidas, foi sobre as festas tradicionais, onde eles conheceram o carnaval e a festa junina, e adoraram dançar os ritmos, aprendendo mais sobre a riqueza cultural que nós temos".

Antes tímidas, as crianças passaram a se divertir com as atividades promovidas | Foto: Bianca Sales

Um dos objetivos da AIESEC com o intercâmbio era aproximar o Brasil do Taiwan | Foto: Bianca Sales

As crianças foram, sem dúvidas, a melhor parte do intercâmbio, de acordo com a intercambista. Ela conta que tinha muito receio, pois não tinha muita experiência com crianças, ainda mais com taiwanesas, com estilos diferentes. "Não sabia o que iria encontrar, não conhecia as culturas e os costumes deles e não falava o idioma. Dar aula para crianças brasileiras conhecendo a realidade delas é totalmente diferente de ensinar crianças do outro lado do mundo sem conhecê-las. Apesar disso, aos poucos me sentia mais confortável, adaptada e confiante", declara.


Questionada sobre os perfis das turmas e das crianças, Bianca afirma que eram bastante diversas. Algumas turmas eram mais tímidas e outras falantes, algumas quietas e outras mais bagunceiras, em algumas tinha bastante interação dos alunos. "Em Taiwan os professores têm uma relação apenas profissional com os alunos, são bastantes rígidos. Eu não tinha esse perfil, era mais aberta e flexível, com isso os alunos gostavam de mim, me abraçavam, me davam presentes. Isso me fazia feliz e diminuía a saudade de casa. O carinho delas me fez superar os medos e a falta de casa", revela.

Em pouco tempo Bianca ganhou o carinho das crianças | Foto: Arquivo pessoal de Bianca Sales

Sobre as diferenças da educação brasileira com a taiwanesa, Bianca declara que o Taiwan investe e dá mais atenção à educação pública que o Brasil, investimentos esses que vêm até dos pais dos alunos. Outro fato curioso observado por ela foi ver pais de alunos trabalhando voluntariamente na escola. "Eu nunca vi isso no Brasil. Os pais participam muito. São ativos na escola. Eles eram voluntários porque gostavam, acreditavam que estavam investindo não só na educação de seus filhos, mas, também, na de toda a comunidade", relata.


Outro ponto abordado em relação à educação taiwanesa é a sua rigidez. Como citado anteriormente, os professores de lá são mais fechados e rígidos, com isso teve uma cena que ela julgou pesada e constrangedora. "Os professores gritavam com os alunos em alguns momentos. Em casos mais extremos, colocavam as crianças de castigo de costas para a sala, onde eles ficavam em pé por muito tempo, punições que não são nada comuns atualmente no Brasil. Era difícil ver aquilo, mas são costumes e devemos respeitar", testemunha.


Ela conta, também, que os alunos taiwaneses sofrem muita pressão para passar em universidades, assim como no Brasil. A diferença é que no Brasil é dada uma maior importância a alguns cursos, em detrimento de outros. Em Taiwan é diferente, o fundamental é que se entre na universidade e seja estudioso. "Todos querem entrar na melhor universidade de lá, pois os diplomas são 'pesados'. Independentemente do curso, o diploma te faz ganhar muitas concorrências no mercado de trabalho", explica.


Um fato curioso do período em Taiwan foi a dificuldade de se comunicar em mandarim. "Por várias vezes as crianças falavam comigo e eu não entendia. Era engraçado pois ficávamos nos comunicando através de mímicas e gestos. No final das contas nos entendíamos. Outra forma que eu utilizava para me comunicar no país, não só com as crianças, mas, também, com a minha "Host Family" (família que acolheu Bianca durante o intercâmbio) e andando pelas ruas, era usando o Google Tradutor. Eu escrevia em português na plataforma e traduzia para o mandarim, e eles faziam o inverso. A tradução não era perfeita, mas ajudava bastante (risos)", pontua.

Em seu período no Taiwan, Bianca residiu com sua "Host Family", com quem mantém contato até hoje | Foto: Arquivo pessoal de Bianca Sales

Bianca conta que inicialmente a impressão era a de que as pessoas de lá estavam fazendo tudo errado e eram diferentes, mas que depois percebeu que a diferente era ela. "Eles eram como são diariamente, vivendo a rotina e a cultura deles. E eu tive que me adaptar à esses costumes. A partir do momento que eu percebi que eu tinha que ter esse respeito pela cultura do outro, eu abri a minha mente e aboli todos os meus preconceitos. Eu "caí de cabeça" e vivi intensamente cada dia no Taiwan, experimentei todas as comidas que me ofereceram, conheci vários templos, escolas, tive experiências dando aula, melhorei minha oratória, entre vários outros pontos", diz.


A Bianca pós-intercâmbio cresceu em diversos aspectos, os quais ela cita: adquiriu mais responsabilidade, aprendeu a respeitar mais o próximo, suas culturas e costumes, excluiu alguns preconceitos e aprendeu a lidar com crianças. "O objetivo da AIESEC foi atingido. Criada após a segunda guerra mundial, a instituição acreditava que através do intercâmbio as pessoas conheceriam outras culturas e que a partir deste momento elas passariam a respeitá-las e aceitá-las, não tendo motivos, portanto, para promover novas guerras. Então, a AIESEC foi criada com o objetivo de gerar esse respeito por outros países, estados, culturas e religiões", finaliza.


 
 
 

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